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Povoado fortificado de Cossourado Imprimir e-mail
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Concelho

Paredes de Coura

Freguesia

Cossourado

Sítio

Lugar

Rua/pr.

Georeferenciação

N41 54 56.99, W8 38 13.79

Descritores tipológicos

*SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS

Cronologia

Idade do Ferro-Romanização

Estado de Conservação

3-Em relativo bom estado

(A confirmar condição actual)

Classificação de protecção

Aguarda classificação

Utilização inicial

Povoado castrejo

Utilização actual

Sítio arqueológico

História

Descrição

O povoado fortificado de Cossourado situa-se entre os 366 e 375m de uma elevação com encostas abruptas a sul e menos declivosas a norte e poente. As suas dimensões atingem cerca de 400m de comprimento por 250m de largura ocupando uma área de 10 ha de terreno classificado na Carta Geológica 1-C como sendo constituído por ‘rochas de granito alcalino de grão médio a fino’. (Serviços Geológicos, 1962).

A implantação do povoado procurou tirar o máximo partido das condicionantes topográficas. O conjunto posto a descoberto é constituído por construções circulares e alongadas apresentando ‘dimensões bastante elevadas, pouco enquadráveis no modelo construtivo dito castrejo’ (Silva, 1998).

As paredes são em pedra seca, de aparelho irregular e as dimensões interiores oscilam entre os 3m de diâmetro (nas construções redondas) e entre os 2,5m de largura e 9m de comprimento (nas edificações alongadas). Atribui-se-lhes funções diferentes: as casas redondas seriam ‘locais de habitação’ e as alongadas utilizadas ‘para a prática de actividades artesanais (olaria, fiação, tecelagem, moagem, entre outras), para a guarda de instrumentos de trabalho, bens de consumo e/ou de animais’ (Idem, ibidem). A cobertura seria vegetal (giesta, por ex.) e assente numa estrutura de caibros de madeira adoptando a forma cónica nas construções redondas e dispondo-se em duas águas ou uma água inclinada nas casas alongadas. Adossados às paredes interiores de algumas das construções encontram-se bancos corridos.

O espólio encontrado nas escavações permitiu aos arqueólogos definir os principais traços da actividade económica vigente no povoado: ‘os seixos de quartzito talhados, os machados de pedra polida, os enxós, os percutores e cinzéis e os polidores´serviriam para a ‘extracção de pedra, o abate de árvores e tratamento de peles. Os pesos de rede, as mós de vaivém (com respectivos rebolos) e os cossoiros de fuso seriam utilizados na pesca, na moagem de bolotas e cereais e na fiação de tecidos grosseiros, respectivamente’ (Idem, ibidem). Acharam-se ainda ‘instrumentos de metal destinados a adorno (bracelete e alguns pendentes), agulhas para confecção de vestuário e fragmentos de machado de talão, um punhal e a lâmina de um outro’ (Idem, ibidem). Os restos de cerâmica encontrada permitem concluir que seria constituída por peças de olaria produzida manualmente e com fins utilitários sobretudo para a confecção e armazenamento de alimentos e líquidos (Idem, ibidem).

Das investigações realizadas sobre o padrão alimentar da comunidade que habitava o povoado concluiu-se que ‘os cereais não teriam um papel muito significativo’ pois era muito utilizado o pão de bolota moída com mó de vaivém. A pesca e caça complementariam a dieta alimentar (Idem, ibidem).

O povoado era defendido por três linhas de muralha dispostas segundo as curvas de nível e de que existem ainda alguns troços a poente. O sistema defensivo era ainda completado por um tipo de ‘torreão’ situado no cume do monte e de onde se vigiava a aproximação de inimigos.

Intervenções

Documentos

Outros

Lenda - A Moura da Cividade

‘Para o povo anónimo e simples, nas antigas povoações anteriores à nacionalidade, há seguramente tesouros escondidos, mouras que guardam riquezas incalculáveis, cobras e sardões que funcionam como guardiães, eles próprios o produto de certos e antigos encantamentos, A uns quebrava-se o feitiço com coragem, a outros com astúcia, porque os desalmados inimigos da fé cristã eram mais manhosos que uma vintena de mafarricos juntos. Certo dia aconteceu o que há muito estava previsto que acontecesse.

Conta-se que certo jornaleiro fora encarregado de tirar uns cepos de carvalho que havia a meio da encosta da Cividade. Era preciso lenha para o inverno, que se previa que fosse duro. Saiu de manhâ, bem cedo, de machado ás costas e pendurada do braço a saca onde a mulher havia metido um pedaço de broa, duas mirradas sardinhas e uma cabaça de vinho, que o dia ia ser duro. Ao passar pelo CariteI - sitio onde séculos depois se faria a igreja - viu plasmada sobre um penedo uma avantajada cobra que, pensou o Rodrigo, o olhava fixamente.

Como cobras havia muitas, o jornaleiro atirou-se à encosta do monte e quando se aproximava dos cepos de carvalho, ficou com a sensação que havia mais alguém a subir pelo mesmo carreiro. Desconfiado, olhou em redor; mas nada se via. Nada, não! A sua frente, sobre um penedo arredondado, estava uma cobra a apanhar os primeiros raias de soL Até parecia a primeira que vira!

- Podia lá ser! - pensou o jornaleiro -. A bem dizer, as cobras não têm pernas e tão pouco voam.

Aliviado com a sua própria argumentação, estugou o passo e chegado aos cepos, lançou-se com força ao trabalho. A lenha cortada ia-se amontoando e o cansaço também. Lá para o fim da tarde os golpes do machado já não eram tão certeiros. O gume do machado resvalou e acertou em cheio numa pedra. Três coisas então aconteceram: um forte som metálico, muitas faíscas e um grito de mulher. Rodrigo olhou, voltou a olhar; subiu a um penedo e nada. Lembrou-se então que o farnel havia sido curto, que a fome era grande e o sol queimava.

- Isto é a fome a falar! Também duas sardinhas e uma pinguita de vinho! Confortado com tais pensamentos ia a pegar novamente no machado quando ouviu, distintamente:
- Aqui, bom homem. Estou, aqui, junto do penedo! O Rodrigo, ao ouvir uma voz de mulher, ficou assustado, mas, mesmo assim, pé ante pé, puxou as giestas para o lado e viu-a. Era a cobra que vira de manhã e que, para espanto seu, falava. Disse-lhe então ela:
- Observei-te! Pareces-me ser o homem certo para quebrares o encanto que me sujeita há tantos séculos. Se o não fizeres ou vacilares, estou condenada a um triste fadário.
Pergunta puxa pergunta e o Rodrigo ficou a saber que a cobra mais não era que uma moça encantada) juntamente com sua irmã, por um mouro cheio de mágica, só porque o pai se negara a dá-las em casamento. Desde então, tinham ficado junto dos tesouros dele, à espera que alguém tivesse coragem de as desencantar Ela, ali na Cividade; a irmã, no Crasto.
- Que tenho então de fazer? - perguntou ele.
- Vês o enxame que está naquela toca de carvalho? Tens de o levar á meia-noite à encruzilhada da ponte e esperar que a lua nasça! Toma, no entanto, atenção! Se alguma das abelhas fugir tu és um homem morto e nós ficaremos encantadas para sempre.

Desceu o nosso homem a pensar na melhor maneira de cumprir a missão, quando se lembrou que tinha em casa um cortiço. Comeu o caldo e disse à mulher que tinha de sair Pegou no cortiço e numa serapilheira velha e abalou para o monte. Quando viu que estava escuro como breu, agarrou o molho das abelhas e zás. Meteu-as lá dentro e tampou cuidadosamente o cortiço, que embrulhou de seguida na serapilheira. Sem olhar para trás, desceu com cuidado a vereda e encaminhou-se para a ponte do Rio Coura. Com cuidado desenrolou a serapilheira e quando o primeiros raios de luar caíram sobre o cortiço, tirou a tampa e de repente tudo aconteceu. Duas belas raparigas apareceram, à entrada da ponte e dentro do cortiço as abelhas transformaram-se em moedas de ouro. Disseram-lhe então as raparigas:
- Quebraste o feitiço! Nós vamos à procura do nosso pai. O ouro, esse fica para ti.

As mouras partiram para a mourama e o Rodrigo. lesto, correu para casa contar as novidades à mulher; havendo quem diga que foram morar num paço ali para os lados do Crasto.

(in ‘‘Lendas e tradicións do Camiño Português’, Ed. Xunta de Galicia, s/d. pp. 112-115)

Bibliografia e outras referências

Carta 1-C (Serviços Geológicos, Lisboa, 1962)

Silva, Carlos Alberto M. Gouveia da e Maria de Fátima Matos Silva (Paredes de Coura, 1995/97)

Silva, Maria de Fátima Matos da (Paredes de Coura, 1995/97)

Silva, Maria de Fátima Matos da e Carlos A. M.G. da Silva (Paredes de Coura, 1998)

Textos

Antero Leite

Fotografia

Antero Leite

Data

Agosto de 2007 - Actualizada em Novembro 2008

  TOPO da pág.
Registo de Direitos de Autor no IGAC (MC) sob o n.º 2064/2008 ; P.º 2031/2008